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Março de 2020. Um novo desafio profissional, uma equipe desmotivada, indicadores ruins… e, de repente, uma pandemia que obriga todo mundo a ir para casa. Foi nesse cenário que Andressa Borges, Diretora Executiva da Sankhya Gestão de Negócios, assumiu uma unidade que estava na zona de rebaixamento e transformou o time em referência nacional de performance, clima e resultados.

Com mais de 20 anos de experiência em gestão de negócios, liderança comercial e tecnologia, Andressa construiu sua carreira liderando vendas complexas, formando gestores e provando, na prática, que alta performance não nasce da pressão — nasce de método, pessoas e propósito.

Neste artigo, extraímos os principais aprendizados dessa conversa no Papo de Vendedor para responder a uma pergunta central:

Quais são as habilidades que todo gestor comercial de sucesso precisa desenvolver para construir uma equipe de alta performance?

1. Como o gestor comercial lidera com propósito

Um gestor comercial de sucesso entende que vendas não são só números. Ele lidera com propósito claro, conectando o time ao impacto real do que está sendo vendido.

Quando o vendedor entende que não está apenas fechando contratos, mas transformando negócios, o nível de engajamento muda completamente. Propósito gera responsabilidade, orgulho e consistência.

2. Capacidade analítica para tomar decisões preditivas

Vendas modernas exigem gestão baseada em dados, não em achismos. Um bom gestor sabe ler indicadores como:

  • Saúde do pipeline
  • Taxa de conversão por etapa
  • Forecast realista
  • Atividades x resultado

Mais do que olhar o passado, o gestor excepcional usa os dados para antecipar problemas e agir antes que o resultado não venha.

3. Clareza sobre o que realmente está sendo vendido

Em vendas complexas, como ERP ou tecnologia, o erro mais comum é vender funcionalidade em vez de impacto no negócio.

O gestor precisa garantir que o time saiba responder:

  • Qual dor real do cliente estamos resolvendo?
  • Qual o retorno sobre o investimento?
  • O que muda na operação do cliente após a venda?

Quem vende transformação vende valor — e valor sustenta ciclos longos.

4. Desenvolvimento contínuo do time

Um gestor comercial não é apenas um cobrador de metas. Ele é um educador.

Isso significa:

  • Feedbacks constantes e objetivos
  • Acompanhamento próximo das negociações
  • Role plays e treinamentos práticos
  • Desenvolvimento individual, não genérico

Times de alta performance são construídos com rotina de aprendizado, não com cobrança esporádica.

5. Inteligência emocional para lidar com pressão e ansiedade

Vendas complexas envolvem:

  • Ciclos longos
  • Muitos “nãos”
  • Altos valores
  • Pressão constante

O gestor precisa saber normalizar a dor do processo, apoiar emocionalmente o time e criar segurança psicológica para que o vendedor execute o que precisa ser feito.

Performance sustentável exige equilíbrio emocional.

6. Capacidade de criar rituais de gestão

Gestão comercial sem rituais vira improviso.

Um gestor de sucesso estrutura:

  • Reuniões de pipeline
  • Análises de ganho e perda
  • Ritos de acompanhamento semanal
  • Momentos claros de feedback

Rituais criam previsibilidade, foco e disciplina — três pilares da alta performance.

7. Uso inteligente de tecnologia e stack de ferramentas

Ferramentas não substituem pessoas, mas potencializam bons gestores.

CRMs, plataformas de prospecção, automação e até IA precisam ser usadas com propósito:

  • Para gerar clareza
  • Para ganhar produtividade
  • Para apoiar decisões

Tecnologia mal usada vira ruído. Bem usada, vira vantagem competitiva.

8. Capacidade de formar e reter talentos

Alta performance não se sustenta com turnover alto.

Gestores comerciais de sucesso:

  • Criam ambientes de confiança
  • Celebram conquistas
  • Estabelecem expectativas claras
  • Constroem cultura antes de cobrar resultado

Talentos permanecem onde se sentem vistos, desenvolvidos e respeitados.

9. Atitude de servir o time (liderança em campo)

O gestor excepcional não é o que fica no ar-condicionado cobrando números.

Ele está em campo, removendo obstáculos, apoiando negociações críticas e criando as condições para o time performar.

Como no esporte, o papel do líder é preparar o terreno para que a bola chegue ao alvo.

Case Número 1: Da zona de rebaixamento ao topo

Em março de 2020, Andressa Borges assumiu uma das unidades mais desafiadoras da Sankhya Gestão de Negócios.

A filial estava entre as piores em resultados comerciais, apresentava alto turnover em equipes de vendas, clima organizacional crítico e indicadores financeiros preocupantes. Entre quase 40 unidades do grupo, aquela ocupava a chamada zona de rebaixamento em vendas.

O desafio era direto: transformar a gestão comercial da unidade, elevar a performance do time de vendas e levá-la, no mínimo, ao Top 5 em resultados comerciais.

Dois dias após sua apresentação ao time, veio o imprevisto que mudou tudo: lockdown e início da pandemia. Andressa iniciou sua liderança em home office, sem sequer conhecer presencialmente mais de 60 colaboradores.

Pessoas antes de números: liderança e gestão de vendas

Diante da instabilidade, a decisão foi clara: construir confiança antes de cobrar performance em vendas.

Andressa iniciou o projeto Timeline, criando espaços para que cada colaborador compartilhasse sua trajetória pessoal e profissional. Além disso, realizou conversas individuais com todo o time, prática essencial em liderança comercial moderna, para entender expectativas, dores e objetivos.

Esse movimento revelou um problema central: a falta de conexão entre as pessoas e entre as áreas, um gargalo comum em empresas que buscam alta performance em vendas.

A partir dali, criou-se um ambiente de confiança, empatia e segurança psicológica, base fundamental para gestão de equipes comerciais de alta performance.

Processo comercial com empatia gera resultado

Somente após fortalecer o time emocionalmente, vieram os ajustes técnicos. Houve troca de funções temporárias entre áreas, treinamentos intensivos, pitches diários, rituais de acompanhamento e processos de vendas bem definidos.

O erro passou a ser parte do aprendizado, não motivo de punição — um pilar da gestão de vendas orientada a desenvolvimento.

Os resultados apareceram rapidamente. Em junho de 2020, a unidade bateu sua primeira meta. Depois disso, foram 18 meses consecutivos de metas batidas, fechamento do ano no Top 5 em vendas e, em 2022, o reconhecimento como melhor unidade da Sankhya, com destaque em resultados comerciais, gestão de equipes, NPS e performance organizacional.

O principal aprendizado para gestores comerciais

A virada não aconteceu por acaso. Ela foi construída a partir do equilíbrio entre liderança comercial humanizada e gestão técnica de vendas, mostrando que performance comercial sustentável nasce quando pessoas, processos e propósito caminham juntos.

Case Número 2: O papel do gestor comercial na previsibilidade

Em sua experiência, Andressa notou que muitos gestores comerciais perdiam tempo buscando respostas simples sobre metas e resultados.

Ela via comportamentos repetitivos: múltiplas abas abertas com CRM, Excel e caderninhos paralelos, tentando entender se iam ou não bater a meta.

Essa dificuldade em ter uma visão clara do pipeline inspirou Andressa a liderar a construção de telas comerciais e dashboards preditivos.

A missão era direta: permitir que, com um olhar, o gestor soubesse se a meta seria alcançada ou não.

O sistema usava indicadores visuais simples — verde, amarelo, vermelho — e fazia previsões baseadas em dados reais do pipe, segmentados por executivo e unidade.

Essa abordagem reforça uma das habilidades para gestores comerciais mais subestimadas: a capacidade de transformar dados em decisões.

O bom gestor não pode viver de “achismos” nem de promessas de uma venda milagrosa daqui a seis meses. Ele precisa de previsibilidade. Como Andressa bem colocou:

“Ninguém vive de passado — o retrovisor é pequeno, o para-brisa é grande.”

Vendas não são para amadores

Gestão comercial é uma das funções mais complexas dentro de uma empresa. Ela conecta estratégia, pessoas, tecnologia e execução.

O gestor comercial de sucesso entende que:

  • Resultado é consequência
  • Cultura sustenta performance
  • Pessoas vêm antes do número

Desenvolver essas habilidades não é opcional. É o que separa gestores comuns de líderes que constroem equipes de alta performance de forma consistente.

Se você quer evoluir como líder comercial, o primeiro passo não é cobrar mais — é liderar melhor.

Aproveite e confira o conteúdo “Gestão de Vendas: Guia Prático Para Gestores Comerciais“, com a participação de Neto Tosato.

 

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Andressa Borges
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