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Poucos profissionais no Brasil podem falar de negociação sob pressão com a autoridade de quem já decidiu, em minutos, entre vida e morte. Diógenes Lucca é tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, fundador e ex-comandante do GATE, comentarista de segurança na TV, escritor e referência nacional em gerenciamento de crises.

Em uma de suas experiências mais simbólicas fora do ambiente policial, Diógenes foi o responsável pelo planejamento de risco e pela segurança de Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, durante um evento no Brasil. Nada ali foi improvisado. Cada decisão partiu de uma análise prévia de cenários, riscos, impactos e planos de contingência.

E é exatamente aqui que o mundo das crises extremas encontra o universo das vendas complexas.

No Papo de Vendedor, Diógenes mostrou que os erros que levam uma negociação ao fracasso são, em essência, os mesmos que transformam uma situação controlável em uma crise: falta de preparação, leitura tardia dos sinais e decisões tomadas sob emoção. Diógene traz lições fundamentais para quem precisa antecipar riscos e fechar negócios em ambientes cada vez mais competitivos.

O maior erro dos negócios: só pensar na crise quando ela acontece

Segundo Diógenes, existe um problema cultural profundo no Brasil: só falamos de crise quando ela já está instalada. No GATE, essa mentalidade simplesmente não existe. Toda operação parte de um princípio básico:

“Um bom estrategista pensa na crise antes que ela aconteça.”

No mundo corporativo, isso se traduz em negociações que começam tarde demais. O vendedor entra quando o comprador já tem pressa, orçamento travado e pouco espaço para diálogo. O resultado? Pressão por preço, desconfiança e decisões aceleradas.

Antecipar riscos na negociação significa mapear, com antecedência:

  • Possíveis objeções
  • Restrições de prazo
  • Dependência de fornecedores
  • Mudanças de prioridade interna do cliente

Quem faz isso não reage à crise. Conduz o processo.

Antecipação de riscos: o que vendas podem aprender com o GATE

No gerenciamento de crises, Diógenes trabalha sempre com três momentos:

  1. Antes da crise – planejamento e cenários
  2. Durante a crise – execução com método
  3. Depois da crise – análise e aprendizado

Em vendas B2B, a lógica é idêntica.

Antes da negociação

É o momento de estudar o cliente, o mercado, os concorrentes e os decisores. Aqui, o vendedor deixa de ser apenas um apresentador de proposta e passa a ser um estrategista.

Durante a negociação

Quem se preparou consegue manter clareza emocional, fazer boas perguntas e conduzir a conversa mesmo sob pressão.

Depois da negociação

Independente do resultado, o profissional analisa o processo, ajusta abordagens e fortalece seu repertório para a próxima oportunidade.

Negociar bem não é talento isolado. É método repetível.

Frieza emocional não é dom. É preparo.

Um dos pontos mais provocativos da conversa foi a quebra de um mito comum em vendas: o de que grandes negociadores são naturalmente frios.

Diógenes é direto:

“O medo é a falta de preparo.”

Durante operações reais com reféns, o coração não acelerava porque ele não improvisava. Ele estudava. Lia. Treinava. Simulava cenários. A segurança emocional vinha da previsibilidade do método.

Em vendas, acontece o mesmo.

  • Quem não domina o produto treme diante de uma objeção técnica.
  • Quem não entende o processo de compras entra em pânico quando o comprador pressiona prazo.
  • Quem não estudou negociação confunde firmeza com agressividade.

A frieza emocional é consequência direta de conhecimento aplicado.

O vendedor que só pensa em fechar perde o próximo negócio

Outro alerta importante trazido por Diógenes é o risco da mentalidade de curto prazo. No GATE, a palavra dada precisava ser cumprida. Isso construiu algo raríssimo: credibilidade.

No mundo corporativo, a lógica é a mesma.

O vendedor que força uma negociação, promete o que não pode entregar ou “ganha no grito” pode até bater a meta do mês. Mas dificilmente constrói relações duradouras.

Negociação de verdade não é sobre vencer o outro lado. É sobre criar um ambiente onde ambos confiam que o acordo será sustentado no tempo.

Sinais de alerta: como perceber que a negociação está saindo do controle

Um bom negociador lê sinais antes que o problema exploda. Alguns deles:

  • Mudança repentina no tom do comprador
  • Redução drástica do tempo disponível
  • Solicitações genéricas e mal definidas
  • Falta de alinhamento entre áreas internas do cliente

Ignorar esses sinais é o equivalente, no mundo das crises, a entrar em um ambiente sem avaliar riscos. O custo quase sempre aparece no final — em desconto excessivo, retrabalho ou perda da venda.

A principal lição: espere o melhor, prepare-se para o pior

Diógenes resume a mentalidade de um estrategista em uma frase poderosa:

“Eu posso até esperar o melhor, mas eu me preparo para o pior.”

Em vendas, isso significa:

  • Ter plano B para cada negociação
  • Mapear riscos antes do cliente trazê-los
  • Estar emocionalmente pronto para ouvir um não

Quem se prepara para o pior raramente é surpreendido. E quando o melhor acontece, está em posição de aproveitar.

O Maior Erro em Negociações: Acreditar que Tudo é Racional

Segundo Diógenes Lucca, toda negociação começa pelo emocional — e só depois passa pelo racional. Em crises, ignorar o estado emocional do outro lado significa acelerar o fracasso. Em vendas, o efeito é o mesmo.

Muitos vendedores entram em reuniões focados apenas em proposta, escopo e condições comerciais, sem perceber sinais claros de insegurança, medo ou desconfiança do cliente. O resultado? Objeções duras, silêncio após a proposta ou negociações que morrem sem explicação.

“As pessoas não tomam decisões quando se sentem ameaçadas. Elas se defendem.” — Diógenes Lucca

Antecipar riscos começa por identificar essas ameaças invisíveis: pressão interna, histórico ruim com fornecedores, medo de errar ou até insegurança pessoal do decisor.

1-) Antecipar Riscos é Ler o Ambiente, Não Apenas o Contrato

Em operações de crise, Lucca ensina que o negociador precisa ler tudo o que está ao redor: tom de voz, pausas, contradições e até o que não é dito. No mundo comercial, essa leitura é igualmente estratégica.

Um cliente que pede desconto muito cedo, por exemplo, nem sempre está falando de preço. Muitas vezes, ele está sinalizando:

  • Falta de confiança na entrega
  • Dúvida sobre o valor real da solução
  • Pressão interna por justificar a decisão

O vendedor que entende isso não reage com concessões imediatas. Ele aprofunda a conversa, valida percepções e reduz riscos antes de falar em números.

2-) Confiança é Construída Antes da Proposta

Uma das principais lições de Diógenes Lucca é clara: confiança não se negocia, se constrói. Em crises, nenhum acordo acontece sem confiança mínima entre as partes. Em vendas, a lógica é idêntica.

Isso significa:

  • Cumprir pequenos combinados antes dos grandes
  • Ser claro sobre limites e riscos
  • Não prometer o que não pode entregar

“Quando você mente ou omite, você pode até ganhar tempo, mas perde o controle da negociação.” — Diógenes Lucca

Vendedores que tentam acelerar etapas pulam exatamente o ponto mais importante: gerar segurança psicológica no cliente.

3-) A Importância de Nomear o Risco em Vez de Fugir Dele

Em situações extremas, ignorar o risco só faz ele crescer. Por isso, uma das técnicas centrais de Lucca é nomear o problema de forma controlada.

Em vendas, isso significa ter coragem de dizer frases como:

  • “Vejo que você pode estar receoso em mudar de fornecedor”
  • “Normalmente, empresas nesse estágio têm medo de errar na implementação”

Quando o vendedor verbaliza o risco, ele tira o peso do cliente de ter que levantar o problema sozinho. Isso cria alinhamento e reduz tensão.

4-) Negociação Não é Confronto, é Construção de Saídas

O negociador eficaz não vence o outro lado — ele cria uma saída onde todos consigam avançar. Em crises, isso significa preservar vidas. Em vendas, significa preservar relacionamentos e recorrência.

Negociações duras, baseadas em pressão e ultimatos, até podem gerar um fechamento pontual. Mas quase sempre deixam cicatrizes que comprometem o longo prazo.

O profissional de vendas que antecipa riscos trabalha com perguntas estratégicas, escuta ativa e visão de parceria, não de disputa.

Lições Práticas de Crise Aplicadas às Vendas

Alguns princípios usados por Diógenes Lucca em negociações de alto risco que se aplicam diretamente ao mundo comercial:

  • Nunca entre em uma negociação sem entender o contexto completo do outro lado
  • Escute mais do que fala, especialmente nos momentos de tensão
  • Valide emoções antes de apresentar soluções
  • Antecipe objeções antes que elas apareçam
  • Trate cada negociação como o início de um relacionamento, não como o fim do processo

Quem Antecipa Riscos Fecha Negócios Melhores

Negociar bem não é ser agressivo, nem ceder demais. É ter clareza, presença e leitura emocional. As lições de Diógenes Lucca mostram que as melhores negociações acontecem antes da mesa — na forma como o vendedor se prepara, escuta e constrói confiança.

Em um mercado cada vez mais competitivo, quem aprende a antecipar riscos não só fecha mais negócios, como fecha negócios melhores, mais sustentáveis e com menos desgaste.

No fim, negociar é menos sobre convencer e mais sobre conduzir pessoas com segurança até uma decisão.

Aproveite e confira a primeira participação de Diógenes Lucca no Papo de Vendedor “Como Negociar Sob Pressão“.

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Conheça o convidado(a)

Diógenes Lucca
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