Quando o cliente percebe a bagunça (mesmo sem saber explicar)
Imagine o seguinte cenário: o cliente compra pelo e-commerce, escolhe retirar na loja física e, ao chegar lá, é direcionado para um fundo de estoque improvisado, atendido por alguém despreparado e sem nenhuma noção do histórico daquela compra.
A empresa está em vários canais. Mas claramente não é omnichannel.
Esse tipo de situação não é teoria. É prática. E foi exatamente esse tipo de exemplo real que surgiu no Papo de Vendedor, em um episódio com dois nomes que vivem a operação no dia a dia:
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Marco Salvo, conhecido como Mestre do ERP, especialista em sistemas de gestão e estratégia comercial e desenvolvedor de novos negócios e soluções na Sankhya Gestão de Negócios.
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Rafael Gouvêa, fundador e CEO da NEPPO, referência em comunicação digital e atendimento omnichannel
A conversa deixou claro um ponto central:
O cliente pode até não saber definir o que é omnichannel, mas ele sente quando a experiência é ruim.
E é aí que muitas empresas erram.
Omnichannel não é estar em vários canais
Um dos erros mais comuns é confundir presença multicanal com estratégia omnichannel.
Estar no WhatsApp, no telefone, no e-mail, no Instagram e no site não significa que esses canais estejam:
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integrados
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sincronizados
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conectados ao histórico do cliente
Quando cada canal funciona como um “departamento isolado”, o cliente precisa:
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repetir informações
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explicar o problema várias vezes
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lidar com atendimentos desconectados
Isso gera frustração, quebra de confiança e perda de vendas.
O cliente percebe a experiência fragmentada
Segundo Rafael Gouvêa, um dos sinais mais claros de uma experiência ruim acontece quando o cliente tenta resolver algo e precisa mudar de canal:
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começa no WhatsApp
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vai para o telefone
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depois manda e-mail
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e ainda assim não encontra solução
Cada interação cai em uma pessoa diferente, sem contexto, sem histórico e sem continuidade.
Resultado?
❌ Experiência quebrada
❌ Atendimento lento
❌ Sensação de despreparo
O erro de não centralizar dados e contexto
Outro erro crítico é não integrar atendimento, vendas e dados do cliente em um único lugar.
Sem essa visão integrada:
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o vendedor não sabe o que o cliente já comprou
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o atendente não vê reclamações anteriores
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a empresa não entende padrões de comportamento
Omnichannel de verdade exige:
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CRM integrado
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histórico unificado
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rastreabilidade da jornada do cliente
É isso que permite uma experiência fluida e personalizada.
Automação sem estratégia também gera problemas
Automação e IA são grandes aliadas, mas usadas de forma errada, viram vilãs.
Um exemplo clássico é o da recuperação de carrinho abandonado. Muitas empresas assumem que:
“Se o cliente abandonou o carrinho, é porque achou caro.”
Nem sempre.
Às vezes o cartão falhou.
Às vezes o cliente foi interrompido.
Às vezes ele só não concluiu naquele momento.
Sem entender o motivo real, a empresa oferece desconto desnecessário e deixa dinheiro na mesa.
Omnichannel não é automatizar tudo.
É entender o comportamento antes de agir.
O papel da IA e da automação no omnichannel
A automação funciona muito bem para:
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vendas transacionais
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pedidos recorrentes
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atendimento fora do horário comercial
Mas ela não substitui o vendedor consultivo.
O que muda é o papel do vendedor:
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menos “tirador de pedidos”
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mais estrategista
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mais próximo do negócio do cliente
A tecnologia assume tarefas repetitivas.
O humano entra onde há complexidade, decisão e relacionamento.
Casos Reais: Quando o Cliente Precisa Contar a Mesma História Três Vezes, o Omnichannel Falhou
Uma das histórias mais marcantes do episódio foi o caso de uma empresa que investiu pesado em canais digitais: chatbot no site, atendimento via WhatsApp e uma central telefônica robusta.
Na prática, o cliente começou o atendimento no chat, foi direcionado para o WhatsApp e, por fim, caiu no telefone. Em todos os pontos, precisou explicar o problema do zero. Nenhuma informação o acompanhou de um canal para o outro.
O problema não foi técnico. O problema foi de experiência.
A empresa estava presente em vários canais, mas o cliente estava sozinho em todos eles.
Lição: omnichannel não é estar em todos os lugares. É garantir continuidade, contexto e memória ao longo da jornada.
O Atendimento Resolveu, Mas a Venda Estragou a Experiência
Outra história forte mostra como a falta de integração entre áreas pode destruir valor em segundos.
Um cliente teve um problema resolvido com excelência pelo time de atendimento. Saiu satisfeito, com a sensação de que a empresa se importava. Dois dias depois, recebeu uma ligação comercial oferecendo exatamente o produto que havia gerado a reclamação inicial.
Do ponto de vista interno, eram áreas diferentes, metas diferentes e sistemas que não se conversavam. Do ponto de vista do cliente, foi simples: ninguém o escutou de verdade.
Lição: quando atendimento, vendas e experiência não compartilham contexto, o omnichannel vira apenas multicanal desorganizado.
A Marca Era Uma no Instagram, Outra no WhatsApp e Outra no Telefone
Uma situação curiosa — e cada vez mais comum — apareceu no episódio: a empresa que muda de personalidade conforme o canal.
No Instagram, a marca era próxima, humana e conversacional. No WhatsApp, respostas automáticas e frias. No telefone, um atendimento engessado, cheio de script e pouca empatia.
O cliente resumiu a experiência em uma frase dura, mas precisa:
“Parece que estou falando com três empresas diferentes.”
Lição: omnichannel não é só integração de sistemas. É consistência de linguagem, postura e experiência — independentemente do canal escolhido pelo cliente.
Experiência do cliente não é diferencial. É obrigação.
Um ponto forte levantado por Marco Salvo é direto:
👉 personalização deixou de ser vantagem competitiva. Hoje é pré-requisito.
Tratar todos os clientes da mesma forma já não funciona.
Quem não personaliza:
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perde vendas
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perde fidelização
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perde relevância
Omnichannel existe para isso:
conhecer o cliente, respeitar seu comportamento e facilitar sua jornada.
Omnichannel é estratégia, não ferramenta
O maior erro das empresas não é a falta de tecnologia.
É achar que tecnologia sozinha resolve.
Omnichannel de verdade envolve:
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cultura
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processo
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dados
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pessoas
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tecnologia integrada
Quem entende isso entrega experiências melhores, vende mais e constrói relacionamentos duradouros.
E quem ignora… o cliente percebe. Mesmo sem saber explicar por quê.
Aproveite e confira o nosso conteúdo especial sobre “Funil de Vendas: Como Construir e Gerenciar um Pipeline Saudável“, com a participação de Diego Cordovez e Gustavo Brant.
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