PAPO DE VENDEDOR | EPISÓDIO #307

Representação Comercial na Prática: Como Vendedores se Tornam a Extensão da Indústria

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São seis da manhã. O carro já está na estrada, o café ainda quente no copo térmico e a agenda cheia de visitas. Antes mesmo da primeira loja, o representante já resolveu problema de entrega, respondeu WhatsApp de cliente, alinhou expectativa com a indústria e revisou mentalmente o pedido mínimo de cada pasta que representa.

Quem olha de fora pode até achar que representação comercial é “só vender”.
Quem vive de dentro sabe: é gestão, estratégia, relacionamento, dados, logística e visão de negócio — tudo ao mesmo tempo.

Foi exatamente essa realidade que apareceu neste episódio do Papo de Vendedor, com dois profissionais que vivem o chão de loja há mais de uma década:
Diego Ferreira, representante comercial no setor de material de construção, e Leandro Foscaches, representante no canal alimentar.

Ao longo da conversa, uma verdade ficou clara:
👉 o representante comercial não é um intermediário. Ele é a extensão da indústria no mercado.

O verdadeiro papel da representação comercial

Quando perguntados sobre o papel do representante, a resposta foi direta e madura:

“Nosso principal cliente é a indústria. O que fazemos é oferecer soluções para problemas que ela não consegue resolver sozinha na região.”

Na prática, isso significa que a representação comercial vai muito além da venda:

  • Gestão da região

  • Atendimento ao lojista

  • Coleta de informações do mercado

  • Feedback estratégico para a indústria

  • Execução de ações que o fabricante não consegue fazer à distância

O representante assume aquilo que a indústria não consegue escalar internamente, tornando-se sua força de vendas, seus olhos e seus ouvidos no mercado.

Representar não é ter exclusividade — é saber gerir pastas

Um ponto importante do episódio foi a quebra de um mito comum:
👉 representação comercial não significa trabalhar com apenas uma empresa.

Tanto Diego quanto Leandro trabalham com múltiplas representadas, desde que não concorram entre si. O desafio não está na quantidade de pastas, mas na capacidade de gestão.

Aqui entra um aprendizado fundamental:

“Não adianta aceitar mais marcas se o seu escritório não dá conta de atender.”

O representante profissional:

  • Avalia se consegue atender bem cada indústria

  • Entende o mix ideal para cada cliente

  • Sabe quando ampliar — e quando dizer não

Representação comercial é, acima de tudo, decisão estratégica.

Atualização constante: quem para, fica irrelevante

Outro ponto forte da conversa foi a forma como os representantes se mantêm atualizados.

Podcast, leitura, treinamentos das indústrias, redes sociais, vídeos técnicos, relatórios de mercado. Tudo vira fonte de aprendizado.

“Hoje, informação não é privilégio. É obrigação.”

Indústrias que investem em treinamento fortalecem o representante. Representantes curiosos fortalecem sua autoridade no ponto de venda.

No fim das contas, quem domina o produto, o mercado e o concorrente não briga por preço — constrói valor.

Prospecção na representação comercial: menos achismo, mais método

Quando o assunto é aumentar a carteira de clientes, a abordagem é prática e moderna.

Entre as estratégias citadas:

  • Pesquisa no Google e Street View

  • Análise da fachada, organização e perfil da loja

  • Indicação de clientes ativos

  • Rodar cidade, entrar, observar e conversar

Mas o ponto mais interessante foi o critério de qualificação:

“Número de checkouts, fluxo de pessoas e giro dizem mais do que o tamanho da loja.”

Aqui entra o feeling do representante, construído com tempo de rua, erro, acerto e observação.

A virada de chave: representante é empresário

Talvez o insight mais poderoso do episódio seja este:

O cliente do representante não é o lojista. É a indústria.

Quando o representante entende isso, tudo muda:

  • Ele passa a vender serviço, não apenas produto

  • Investe em identidade visual, estrutura e processos

  • Cria relatórios, CRM, curva ABC, dados de sell-in e sell-out

Um dos convidados resumiu com perfeição:

“Se você não tratar sua representação como empresa, alguém vai tratar — e vai tomar o seu lugar.”

Venda acontece na loja (e não no WhatsApp)

Mesmo com tecnologia, CRM e dados, uma verdade permanece:

👉 a venda acontece no chão de loja.

É ali que o representante:

  • Observa a prateleira

  • Identifica rupturas

  • Compara concorrentes

  • Gera demanda antes da objeção

Marcas fortes puxam o cliente.
Mas marcas novas exigem presença, argumento e trabalho consistente.

Quebra de objeções: conhecimento vence preço

Preço aparece. Sempre aparece.
Mas raramente é o verdadeiro problema.

As objeções são superadas quando o representante domina:

  • O produto

  • O concorrente

  • O comportamento do consumidor

  • Os dados de mercado

“Se você conhece a loja e a categoria, a objeção já chega fraca.”

Relacionamento abre a porta.
Conhecimento fecha a venda.

Gestão de Carteira: o Divisor de Águas do Representante Profissional

Se existe um ponto em comum em toda a conversa, ele é claro: gestão de carteira não é feeling — é método.

Durante muito tempo, a tomada de decisão do representante esteve baseada no relacionamento, na simpatia do cliente ou naquela sensação de “esse cara compra bem”. Mas, quando os dados entram em cena, a realidade aparece sem filtro.

O uso do CRM foi descrito como um verdadeiro divisor de águas. Ele revelou algo desconfortável, porém libertador: clientes agradáveis nem sempre são os mais rentáveis, e clientes silenciosos muitas vezes sustentam boa parte do faturamento e da margem. Quando tudo vai para a tela, a emoção perde espaço para a estratégia.

A partir disso, a gestão deixa de ser genérica e passa a ser cirúrgica:

  • Quem é cliente A, B ou C em cada indústria

  • Qual a frequência correta de visita

  • Onde faz sentido investir tempo, serviço e energia

  • Onde o crescimento virá por mix, não por volume isolado

Mix: proteção, margem e poder de negociação

Outro aprendizado central é que vender pouco mix é vender vulnerável.

Quando o representante atua apenas com poucos SKUs, ele se torna facilmente substituível por preço. Já quando constrói presença com múltiplos produtos, categorias e indústrias dentro do mesmo cliente, a conversa muda completamente.

Trocar um fornecedor que entrega:

  • mix,

  • serviço,

  • reposição,

  • estratégia de gôndola
    não é simples. Dá trabalho. Custa tempo e dinheiro para o lojista.

E esse “custo da troca” se transforma em segurança comercial para o representante.

Por isso, o foco deixa de ser “tirar pedido” e passa a ser aumentar a rentabilidade por visita. Se o custo da presença já existe — deslocamento, tempo, estrutura — o papel do vendedor é maximizar o resultado daquela ida ao cliente.

SKU é a sigla para Stock Keeping Unit (Unidade de Manutenção de Estoque). Na prática, cada SKU representa um item específico de um produto, com características próprias, como: marca, modelo, tamanho, etc. SKU é a base do mix, do faturamento e da segurança do vendedor dentro da conta.

Estrutura não é luxo, é alavanca

Outro ponto que fecha o raciocínio com maturidade: ninguém escala vendas sozinho.

Secretária, administrativo, gerente interno, vendedor interno, preposto. Cada etapa de crescimento exige estrutura — mesmo que pequena no início. Não para inflar custos, mas para liberar o representante do que não gera venda: burocracia, problemas logísticos, retrabalho operacional.

Quem não estrutura o escritório acaba gastando energia apagando incêndio. Quem estrutura, vende.

E existe um ponto de virada importante: quando você enxerga claramente o problema, não dá mais para “desver”. Ou você enfrenta, ou aceita ficar estagnado.

As lições finais para quem está começando (ou quer evoluir)

O fechamento da conversa deixa um legado claro para qualquer representante:

  1. Postura profissional importa
    Forma de falar, escrever, se vestir e se posicionar constroem (ou destroem) percepção de valor.

  2. Atualização constante não é opcional
    Mercado, canais, tecnologia, comportamento de compra e ferramentas fazem parte do jogo.

  3. Networking é ativo estratégico
    Comprador, balconista, recepcionista, outros representantes — todos abrem portas ou trazem informações valiosas.

  4. Escuta, curiosidade e dados constroem vantagem competitiva
    O vendedor que escuta bem, observa o ponto de venda, entende o produto e analisa números sai do comum.

No fim, fica claro que representação comercial de alta performance não é sobre sorte, talento ou carisma.
É sobre método, estrutura, leitura de dados e consistência no campo.

Quem entende isso deixa de ser “tirador de pedido” e passa a operar como aquilo que o mercado mais precisa hoje:
um gestor de carteira, de relacionamento e de resultado.

O futuro da representação comercial já começou

O episódio deixa um recado claro para quem vive — ou quer viver — de representação comercial:

  • Seja gestor, não apenas vendedor

  • Use dados, não só feeling

  • Construa estrutura, não improviso

  • Venda experiência para a indústria

Porque no fim do dia, quem entrega valor real se torna indispensável.

E como ficou claro nesse papo:
👉 o representante que pensa como empresa não é substituível.

Saiba mais sobre representação comercial conferindo a primeira participação de Diego Ferreira no Papo de Vendedor “Como se tornar um Representante Comercial de Sucesso“.

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Conheça o convidado(a)

Diego Ferreira
Leandro Foscaches

Continue ouvindo o Papo de Vendedor

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