PAPO DE VENDEDOR | EPISÓDIO #311

O Erro das Empresas ao Criar uma Área de Pré-Vendas (e Como Evitar)

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Criar uma área de pré-vendas virou quase uma “obrigação” para empresas B2B que buscam escala. O problema é que muitas fazem isso pelo motivo errado — e da forma errada.

O resultado?

Times frustrados, SDRs desmotivados, vendedores reclamando da qualidade das oportunidades e líderes questionando se “pré-vendas realmente funciona”.

Funciona.
Mas não do jeito que a maioria tenta implementar.

Neste conteúdo, reunimos aprendizados práticos compartilhados por Cristiane Silva, Coordenadora de Pré-Vendas na Comprint Máquinas e Materiais Gráficos Ltda, profissional com mais de 20 anos de experiência em gestão comercial e que atua exclusivamente com pré-vendas desde 2014. Sua vivência expõe com clareza onde as empresas erram — e o que fazem aquelas que acertam.

O maior erro: tratar pré-vendas como custo, não como investimento

A principal dificuldade na criação de uma área de pré-vendas não é técnica.
É cultural.

Segundo Cristiane, muitas empresas até contratam um gestor experiente ou um SDR sênior, mas não oferecem estrutura, tecnologia e orçamento compatíveis com o que esperam de resultado.

Pré-vendas exige:

  • Ferramentas de CRM e sales engagement

  • Processos bem definidos

  • Tempo para aprendizado e rampagem

  • Capacitação contínua

Sem isso, não importa quão bom seja o profissional: ele vai performar abaixo do potencial.

“Nada adianta ter um profissional gabaritado se você não oferece ferramentas e condições financeiras para executar o trabalho de forma efetiva.”

Pré-vendas não é uma função isolada. É um sistema.

O erro silencioso: copiar modelos de fora sem adaptar à realidade brasileira

Outro equívoco comum é tentar replicar, sem filtros, modelos de SDR importados de mercados mais maduros.

Lá fora, a pré-venda já passou por ciclos de aprendizado que o Brasil ainda está vivendo. Aqui, o mercado:

  • Ainda está em processo educativo

  • Confunde SDR com telemarketing

  • Nem sempre entende o valor estratégico da função

Cristiane alerta: não existe receita de bolo. O que funciona em empresas SaaS ou em mercados altamente digitais pode não funcionar em vendas consultivas, industriais ou de alto ticket.

O correto é:

  • Olhar referências externas

  • Adaptar ao ciclo de venda, ticket e maturidade do mercado

  • Testar, medir e ajustar continuamente

Pré-vendas é um organismo vivo.

Internalizar ou terceirizar? A decisão que impacta diretamente o resultado

Um dos pontos mais estratégicos na estruturação da área é decidir entre pré-vendas internas ou terceirizadas.

Na experiência da Comprint, a internalização fez toda a diferença.

Quando o produto é:

  • Consultivo

  • Técnico

  • De alto valor

  • Voltado a um nicho específico

A pré-venda precisa estar dentro de casa.

Times internos:

A sinergia aumenta. A qualidade da conversão também.

SDR inbound vs outbound: o erro não está no processo, mas na mentalidade

Outro ponto pouco compreendido é a diferença entre SDR receptivo (inbound) e ativo (outbound).

As competências técnicas são parecidas.
O que muda é a mentalidade.

  • Inbound: trabalha com dor latente, precisa entender jornada e agir com agilidade

  • Outbound: lida com rejeição constante, precisa gerar conexão, provocar reflexão e criar oportunidade

O erro das empresas é achar que são funções completamente distintas ou que exigem perfis opostos. Na prática, o mesmo SDR pode atuar nas duas frentes — desde que saiba mudar a chave mental.

Gestão de pré-vendas não é sobre cobrança. É sobre resiliência

Pré-vendas é uma área que lida com “não” o dia inteiro.
Ignorar isso é um erro grave de liderança.

Cristiane destaca três pilares fundamentais para manter o time saudável e produtivo:

  1. Ambiente de aprendizado constante

  2. Feedback estruturado e frequente

  3. Gestão humanizada

Feedback não é tapinha nas costas nem puxão de orelha mensal. É acompanhamento real, direcionado, com troca, escuta ativa e clareza de evolução.

Pequenas ações também fazem diferença:

  • Reconhecer contribuições individuais

  • Celebrar ideias, não só metas

  • Criar rituais de conexão, mesmo em times remotos

Resultado sustentável vem de pessoas que se sentem valorizadas.

Recrutamento: o currículo engana, o comportamento revela

Muitas empresas erram ao buscar o “SDR pronto”.

Experiência não garante performance.
Currículo bonito não garante curiosidade.

Na visão de Cristiane, os melhores SDRs são aqueles que demonstram:

  • Brilho no olho

  • Curiosidade genuína

  • Capacidade de se preparar

  • Facilidade de gerar conexão

Durante entrevistas, ela observa menos o que está escrito e mais como a pessoa se posiciona, se estudou a empresa, se faz perguntas inteligentes e se demonstra vontade real de aprender.

Pré-vendas é sobre mentalidade de construção, não sobre atalhos.

O verdadeiro papel da pré-vendas no crescimento da empresa

Pré-vendas não existe para “marcar reunião”.

Ela existe para:

  • Educar o mercado

  • Qualificar oportunidades

  • Reduzir ciclo de vendas

  • Proteger o tempo do vendedor

  • Aumentar taxa de conversão

Quando mal estruturada, vira custo.
Quando bem construída, vira vantagem competitiva.

O erro das empresas não é criar uma área de pré-vendas.
É criar sem entender o que ela realmente precisa para funcionar.

Cadência, Volume e Rotina do SDR

O processo desenhado por Cristiane conta com:

  • 13 atividades (touch points) por lead

  • Um ciclo médio de duas a duas semanas e meia

  • Média de 50 a 70 atividades por dia por SDR

Cada SDR trabalha com aproximadamente:

  • 200 a 240 contatos por mês, distribuídos em três semanas

  • Evitando subir leads no fim do mês, quando a conversão tende a cair

A lógica é simples: volume sem estratégia não gera resultado.

As Métricas que Realmente Importam em Pré-Vendas

Na gestão, Cristiane é categórica: não basta olhar só para reuniões agendadas.

Os principais indicadores acompanhados são:

  • Conversão entre estágios do funil

  • Tempo médio em cada estágio

  • Taxa de no-show

  • Taxa de conversão de reuniões realizadas (não apenas agendadas)

“Não me interessa ter 100 leads qualificados há 60 dias no funil. Se estivesse qualificado, a conversão já teria acontecido.”

Para ela, taxa de no-show é um termômetro direto da qualidade da qualificação. Se está alta, algo está errado no processo — ou perguntas importantes não estão sendo feitas.

Tecnologia como Aliada: CRM e Inteligência Artificial

Cristiane se define como uma apaixonada por CRM — e defende que todo profissional comercial deveria ser.

“A hora que o vendedor entende a grandiosidade dessa ferramenta, ele vira um fanático por CRM.”

Ela destaca o papel do CRM não só na organização, mas na estratégia, na automação da rotina e na visão de oportunidades futuras. E reforça a importância do avanço da inteligência artificial integrada às ferramentas comerciais.

Dica Final: Os 3 Pilares para Criar uma Área de Pré-Vendas

Para encerrar, Cristiane deixa um conselho direto para gestores e donos de empresa que querem estruturar uma área de pré-vendas:

1. Pessoas
Invista em gente boa, com perfil e clareza de papel.

2. Tecnologia
Use ferramentas que apoiem a rotina, tragam dados e acelerem decisões.

3. Processos
Tenha processos mapeados, documentados e compartilhados. O processo não pode ficar “na cabeça da gestão”.

“Pré-vendas não é custo. É investimento. E o retorno vem em curto e médio prazo.”

Quando esses três pilares caminham juntos, o pré-vendas deixa de ser um gargalo e passa a ser um dos maiores motores de crescimento da operação comercial.

Pré-vendas é estratégia de crescimento

Se sua empresa quer crescer com previsibilidade, precisa parar de tratar pré-vendas como experimento e começar a tratá-la como estratégia.

Com processos, pessoas, tecnologia e liderança.

Como mostra a experiência de Cristiane Silva, estruturar pré-vendas é menos sobre ferramentas e mais sobre visão, consistência e gestão consciente.

Quem entende isso antes, cresce melhor.

Aproveite e confira o nosso conteúdo super especial sobre “SDR de Sucesso: Habilidades, Métricas e Rotinas“, com a participação de Paula Olaf, Fundadora da Fábrica de SDR.

 

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Cristiane Silva
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